A Palavra

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Palavras, redemoinhos de ar, que saem aos trambolhões da nossa boca, para se perderem em um ouvido qualquer. Palavras, são os nossos pensamentos, que se transformam em acções, em ideias, doidas, ou não.
Palavras, no fundo, são o que nós somos.  Nós somos as palavras que conhecemos. Nós somos Palavra. Quanto mais palavras conhecemos, mais somos, quanto menos palavras conhecemos, menos somos.
Palavras, é o que usamos para nos descrever a nós próprios, e para descrever o Mundo. Há palavras que são muito importantes, mesmo que não as saibamos descrever muito bem. Palavras como Amor, Pensamento, Vida, Imaginação. Tudo é palavra. Mas existe uma palavra que, para mim é muito importante, pois é o que define o que nos diferencia de tudo o resto. Já se perguntaram o que é que nos faz diferentes do todos os outros organismos biológicos existentes no Planeta? Quando se pergunta_ “O que nos faz diferentes dos animais? Qual o nome dessa particularidade?”, será que sabe responder a essa pergunta? Qualquer pessoa que não saiba responder a essa pergunta, ou melhor, que desconhece essa palavra, na realidade, não sabe a diferença entre ela e um animal, a um nível bastante profundo. Senão, vejamos, por exemplo, as formigas. Animais que vivem numa sociedade estruturada, com rainhas, soldados, trabalhadores. Têm maternidade para as suas crias. Trabalham em grupo. Provavelmente, têm emoções básicas para a sua sobrevivência, tais como medo, fome, etc. Também têm, provavelmente, consciência, para as avisar de perigos eminentes, para se poderem localizar no tempo ( dia e noite ), e no espaço ( reconhecer a sua localização ), e que lhes permite trabalhar como um todo, com uma finalidade específica. Tudo funções biológicas que partilhamos com elas. O que é que nos diferencia das formigas? Qual a palavra que usamos, que define essa diferença? Mas, conhecer uma palavra, e, não conhecer as suas implicações, também resulta em nulidade, torna a palavra inócua. Por exemplo, um adolescente, hoje em dia, tem toda a informação que necessita acerca da palavra “sexo”. Tem sites de porno, tem a Wikipédia, tem sites de aconselhamento, enfim, todo o conhecimento actual ao seu dispor, mas, nunca fez sexo. Quer dizer, ainda não teve, realmente, acesso ao que a palavra “sexo” define. Só, depois de adquirir a concretização factual do acto é que, finalmente, compreende o seu real significado. Só, então, compreenderá realmente o significado da palavra. Há muitas pessoas que se acham diferentes dos animais, mas não conseguem bem explicar a diferença, pois falta-lhes o conhecimento da palavra que define essas mesma diferença. Nós, humanos, seres biológicos, pluricelurares, participantes nesta espantosa viagem chamada de evolução, ao longo de milhares de anos, por uma razão, ainda hoje em dia desconhecida, desenvolvemos esta particularidade, que nos permitiu sobreviver, e adaptar a diversas situações, garantindo assim, a evolução, e preservação da espécie humana. É assim tão importante, o que encerra a definição, e conteúdo desta simples palavra. Porque, mais difícil do que amarrar uma pedra, num pau, é dar-lhe um significado, que justifique a sua criação. É preciso algo, que eleve a ferramenta a outro estatuto. Algo que permita ver para além da forma, para descobrir novos usos, ou melhores implementos. Uma melhor maneira de utilizar a inteligência adquirida. É esse pequeno detalhe que faz uma enorme diferença. Dar significado à inteligência. Trazer ideias à realidade. A capacidade de construir coisas em abstracto. Visualizar conceitos, de uma forma concreta, apenas com o pensamento. Essa é a diferença entre nós, e os outros seres vivos. Agora pergunto, novamente “qual é a palavra que define o que faz a diferença entre nós e outros seres vivos?”.  Alguém que não saiba responder, a esta pergunta, de uma forma, relativamente concreta, em realidade não está muito interessada em saber se é Humano, ou Besta. Quero dizer, como é que essa pessoa baseia a sua humanidade? Como é que ela sabe realmente o que é ser Humano? Quais as características que nos definem, que são inerentes à nós, e não aos outros animais? Penso, que responder a estas perguntas, nos trará um certo orgulho em pertencermos a esta peculiar espécie. Se não soubermos responder a estas perguntas, de uma maneira, mais ou menos concreta, que orgulho poderemos ter em ser humanos? Porque, se alguém tem orgulho em pertencer à espécie humana, obrigatoriamente, tem que perguntar se a espécie humana tem orgulho em ter esse indivíduo incluso nela. O que, na maior parte dos casos, pessoalmente, penso que não será o caso. Pessoas que não utilizam esta palavra, com plena consciência disso, em principio, são pessoas que não conseguem falar, nem discutir ideias, acima de um certo nível. Como Sócrates notou, e muito bem, pessoas cultas discutem ideias e princípios. Pessoas normais discutem acerca de materialismo. Pessoas incultas só falam de outras pessoas. Só pessoas incultas gostam de falar com pessoas incultas. Qual a finalidade de conversar com alguém que não nos ensina nada? Porquê perder tempo com alguém que não sabe sabe a diferença entre si e um animal? O que essa pessoa tem para oferecer senão mentiras, vão orgulho e jogos e artimanhas? Nada. Ah, a importância de uma simples palavra. Se há algo que define a mediocridade do ser humano, é a ausência dessa palavra, como uma constante da vida. Há palavras que mudam a vida de um indivíduo, para sempre. Palavras, que quando o seu significado é adquirido, tem um enorme potencial. Empatia, Paz, Criatividade, Amor, Conhecimento, etc. Qualquer uma destas palavras, quando integrada, eficazmente, no nosso dia a dia, produz mudanças drásticas na maneira como olhamos para nós, e para o mundo. “Qual a palavra que define a diferença entre Humanos e Animais?”. Nesta realidade semântica, saber que palavras usar, para diferenciar um ser que desfruta da sua humanidade,  de um ser estúpido, isto é, que vive a vida num estupor, como um zombie, que se limita a trabalhar, comer, dormir, procriar, trabalhar, enfim, que vive a vida, apenas ao nivel básico, biológico, da besta, é muito importante. Afinal, a Natureza, através da evolução, nos entregou esta pequena pérola. Entre todas as necessidades fisiológicas, naturais, biológicas, há algo que é apenas humano. A criatividade, o acto de saber expressar através imagens, esculturas, texto, os seus sonhos, desejos, acções. O acto de filosofar é extremamente importante. Quando a humanidade desaparecer, duas palavras estarão no seu epitáfio “Como” e “Porquê”. Pelo menos, para parte da Humanidade. Quando ouço certas pessoas dizer “Nós pusemos o homem na Lua”, “Nós escrevemos grandes obras literárias”, “Nós pintamos grandes obras de arte”, “Nós atingimos um elevado estado de tecnologia”, “Nós fizemos grande arquitectura”, etc, etc. Na realidade, “Nós”  nem sabemos o diferença entre um átomo e uma molécula. “Nós” não percebemos nada de ciência, de arte, de filosofia. “Nós” não sabemos nada, mas “Nós” pensamos que somos inteligentes. “Nós” pensamos que somos outros, outros que, realmente, atingem o sublime acto de sair da simples biologia. Outros que têm o conhecimento de palavras que “Nós” não temos, na maior parte das vezes, porque não queremos. Será que realmente, uma simples palavra, pode fazer uma diferença tão grande, para o que somos,como seres humanos? Penso que sim. Faça a si próprio a pergunta “O que é que me faz diferente dos animais? Será isso importante? Porquê? Serão as minhas emoções, assim tão diferentes dos outros animais? Será a minha vida medíocre, como eu penso que é medíocre a vida de um animal?” Naquela parte da sua personalidade, mais escondida, que não mostra a ninguém, você pensa que sabe perfeitamente as respostas a todas estas perguntas, mas na realidade, também sabe, perfeitamente, que não sabe. Porquê? Porque falta a resposta à primeira pergunta. Repare na sua vida. Independentemente das suas posses, como carro, TV, GPS, computador, telemóvel última geração, etc., todas essas coisas que “Nós” criámos. Isole-se do grupo. Coloque-se num estado de total introspecção. O que você tem que o faz diferente de uma formiga? O que você possui, em si próprio, que o faz diferente de uma formiga? Agora, pense, para si mesmo o seu lugar no planeta, na escala evolutiva. O que você trás de positivo para a próxima geração? Qual foi o maior acto criativo da sua vida? Como ser humano, qual a sua maior realização? Como será lembrado pelos outros quando morrer? Quando tempo será lembrado? Será que valeu a pena? Será que a pena, valeu a pena? Imagine-se no seu leito de morte, sentindo o seu mecanismo biológico a falhar, a sentir o colapso. Nesses últimos instantes, antes do último suspiro, quais serão os seus pensamentos? O que vai sentir quando a vida se esvair? Será que valeu a pena? Todas as prestações? As dividas, os créditos? As felicidades? Os desgostos? Estão bem balançados? Foi feliz? Infeliz? Porque, quando  a morte bate à porta, todas as mentiras se tornam redundantes. Pessoalmente, penso que muita gente irá morrer em profundo descontentamento com a vida que levou. Porquê? Poderá ser porque achou que levou a vida como um animal, sempre encaminhado, acossado, guiado por outros, num enorme rebanho. Será que certas decisões foram tomadas, realmente, por si, e não encaminhadas por outros? Quantas vezes engoliu em seco, em vez falar o que realmente sentia? Quantas coisas, que nos fazem felizes não são postas de lado porque se tem que pagar isto, ou aquilo, ou porque vai magoar a pessoa que amamos. “tudo vale a pena, quando a Alma não é pequena”, já dizia Fernando Pessoa. Mas, para Pessoa, a Alma era o que nos ligava ao divino ( muito em moda, naquela altura, hoje, um conceito completamente ultrapassado ). Viver assim, é não aceitar a sua humanidade, é sobreviver, não é viver. E a vida, é um acontecimento tão deslumbrante, e único, que não vive-la em plenitude é uma afronta à evolução que nos deu esta oportunidade . É desrespeitar a natureza, em toda a sua luta por produzir seres vivos, melhores, mais eficazes. Eons de evolução, desperdiçados, numa breve vida, desenhada para evoluir para a próxima geração, de peito aberto, sorriso nos lábios, amor no coração, e encerrada na mais pura mediocridade, futilidade, ignorância e desespero. Será que valeu a pena? Será que cumpriu a sua missão? Será a vida que viveu, realmente vida? Porque viver não é difícil, até uma ameba , ou uma mitocondria, ou uma mosca, formiga, conseguem. O difícil é saber viver, bem, como ser humano. “Qual a palavra que se usa que distingue o ser humano dos outros animais?”.

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